Quero relatar um pouco as minhas impressões sobre nosso último encontro. Sintetizo inicialmente com a imagem de uma roda, onde todos os pés apontam para o centro. Essa imagem evoca bem a sensação de harmonia que senti nesse encontro.
Inicialmente, Fernando e eu nos encontramos primeiro para finalizar os preparativos do dia e também organizar o espaço para a primeira aula de eutonia. Strobel chegou. Na hora de iniciar Nina aparece. E durante a aula chegou o Paulo. Sentimos bem a ausência da Cíntia. E quando acabou a eutonia foi a pergunta geral. Como ela havia avisado, esse mês talvez role umas ausências. Que esse tempo passe logo!
Voltando a eutonia, foi estranho perceber como dessa vez foi difícil. Não consegui estar presente, minha mente estava num passado e num futuro e nunca em mim. Em meu corpo, em meu ser. Apenas no fim, nos exercícios com a bacia que finalmente me senti e me situei em mim. Estar é precioso demais.
Após a aula falamos sobre a experiência, foi gostoso perceber que todos pareciam ter gostado do momento e viam como essa preparação pode ser preciosa para o processo de construção da peça. Ficamos só a questão: será que alguns dias precisaremos de algum aquecimento mais forte?
Nesse encontro conversamos bastante, os assuntos viam e as conversas iam e viam. As vozes fluíam e riam. E nisso lemos o texto. Antes de começarmos colocamos a questão de: POR QUE CADA UM DE NÓS QUER CONTAR ESSA HISTÓRIA? A resposta é bem pessoal, mas ficou para que cada um elaborasse algo e se quiser compartilhar no próximo encontro.
A leitura do texto fluiu solta, mesmo sem representarmos foi impossível ocorrer uma leitura sem cores nas vozes e outros desenhos. As cenas parecem fluir melhor. Algumas fichas caiam. Strobel anotava muita coisa, Nina em alguns momentos. Paulo mais observava.
Quando terminamos o segundo ato houve uma longa pausa. Por algum motivo houve uma necessidade grande de falarmos sobre família, criação, maternidade, filhos e humanidade. De algum modo sinto que esses assuntos são temas fortes da peça e de nós.
Corremos para o fim da leitura já que Strobel precisava partir, e naquele finzinho eu quis chorar de gratidão total. É de uma gratidão imensa ver coisas da minha mente criarem forma no papel após suar bastante nessa construção, e depois ganharem contornos de corpos tão bonitos em vocês. Teatro tem esse quê de humano e comunidade que nos faz colocar assim os pés juntos em uma roda todos em direção um do outro.
Muito trabalho ainda a fazer, correções no texto, adições, reflexões e diversão. Mas o terreno já tá mais do que preparado, isso é demais de se ver.
carlos

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