Salve,
Na semana anterior não houve encontro por uma série de desventuras. Meu celular roubado, Strobel doente, Nina tendo de trabalhar até mais tarde do que a tinham avisado, Paulo passando mal. Então acabamos tendo eutonia e um bate-papo entre Fernando e eu.
Então, felizmente ontem pudemos voltar com tudo, tendo um encontro com muitas sensações e reflexões. Contudo, ainda sem Paulo que está se recuperando e Cíntia que ainda está se cuidando.
Fico absurdamente feliz com a oportunidade de iniciar esse trabalho com a Eutonia, acho ele extremamente oportuno e impactante para nosso trabalho. Ele trabalha três elementos que a mim são essenciais ao artista, e elementares aos cênicos: CORPO, AUTO-CONHECIMENTO e ATENÇÃO. Aprender a se reconhecer e a se reconhecer em seu corpo é um ato extremamente vascularizador em nossa vida cultural e política. É basicamente o oposto do processo social que vivemos, nos distanciar do corpo, não nos reconhecermos, estarmos fora de sintonia e dilaceramos a nós mesmo em compartimentos - corpo, alma, sentimento, trabalho, família, amigos, amor...
Agora após a eutonia, entramos numa conversa tranquila sobre sonhos - Strobel encarrou a possível morte e a possibilidade dela mesma ser sua assassina para Jung; Nina estava numa bacia muito pequena para nadar e ser peixe dentro d'água; Fernando lidou com uma história nomeada e ainda não contada; e eu tive que encarrar peixes assassinos e fantoches de pelúcia. Lembro uma passagem do texto, que tenho um certo carrinho: "Somos adultos, agora. Não somos? Temos de arregaçar as
mangas e lutar pelos nossos sonhos. Sonhar é perigoso. Mas é o que sobra da
infância. E se a gente se prender nesse medo, até isso a gente perde."
Fomos então para uma questão rápida do texto, afinal qual é o caminho do Adulto B? O quanto podemos ou não deixar o que acontece com essa personagem em aberto? Coloquei que não vejo como coerente a possibilidade de ele abandonar a família, em especial por causa do texto da Cena IV do primeiro ato. Nesse texto Adulto A fala sobre a perda, mas nunca como um abandono. Fernando, Nina e Strobel parecem gostar bastante da possibilidade do abandono. Eu coloquei a visão de que ele é retirado de lá, ou sendo assassinado ou sendo preso. E que essa resposta não precisa ficar clara. Apenas temos de escolher se o caminho é o abandono ou ser retirado. Começar a aparas algumas pontas. Nada foi escolhido, apenas jogada a reflexão.
Começamos então o trabalho com o Action, foram diversos exercícios bem rápidos. Achei bem proveitoso, em especial porque a primeira vez que fiz o exercício em senti MUITO ENFERRUJADO. Carai, como é preciso de prática e treino.
Próxima semana começaremos a levantar o trabalho de criação mais concreto dos personagens. Iniciando a construção de um totem e posterior criação das características físicas.
É isso, Carlos
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