quinta-feira, 16 de outubro de 2014

um primeiro papo

ontem, após conversarmos algumas faíscas surgiram. eu disse para o Fernando: "não consigo achar referências para o texto", e ainda enquanto caminhava para casa me veio uma lembrança, algum de vocês já viu o filme Waking Life (2001) do Richard Linklater? não é dos meus favoritos, mas me veio forte a lembrança daquela experiência e a sensação de existir algo ali. achei este fragmento:





depois desse momento, resolvi fazer o que já pensava. reler o texto circulando palavras, caçando referências e o que viesse. me veio forte a imagem da Clarice Lispector, em especial o livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. e também uma epígrafe para o texto da peça, que vem do livro água-viva, também da Clarice: "posso não ter sentido, mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa." o texto então me parece tão aquoso, mas ainda faltava algo e o percebi cheio de ar. um suave turbilhão de ar no meio da água.

terminei a leitura e senti falta de algo, acredito que falta uma parte. veio o impulso de uma nova cena, existe uma cena solo da personagem Adulto A. se acontecer adicionarei ao texto, e ai vemos se é útil ou não ao nosso projeto.

senti algumas loucuras: 
  •  a existência de um quinto personagem: o vazio. e esse vazio também é o adulto b e a criança b. será que um dia o vazio some? será que o vazio é um banco onde sentamos e esperamos?
  •  os espaços da peça. são sempre espaços de espera. com exceção do quintal?
  • a ausência de alguma cor quente; vi ela na cena Adulto A. laranja. há o sol ao se por.
  • vejo um grande espelho aquoso; ouço o som de um mar de bolinhas de gude dentro de um saco de pano; e um porta-retrato com um figura muito feliz sentada em um banco e perto dela uma criança presente e ausente,

por fim, nunca havia percebido como esse texto é tão auto-biográfico, como as personagens são eu. estranho demais isso. estranho mesmo.

p.s: o que são conversas infantis?


adições>>>

enquanto escrevia relembrei deste personagem, e gosto muito desse verde:


essa coisa que surge do poço. ele também - essa personagem - aparece no filme Holy Motors, o qual nunca vi, mas a Anita já indicou algumas vezes.

também veio o filme Sonhos do Akira Kurosawa. alguém já viu?

e novamente por último:
  
"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê." [nos poços, caio fernando abreu, no livro o ovo apunhalado]

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