depois desse momento, resolvi fazer o que já pensava. reler o texto circulando palavras, caçando referências e o que viesse. me veio forte a imagem da Clarice Lispector, em especial o livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. e também uma epígrafe para o texto da peça, que vem do livro água-viva, também da Clarice: "posso não ter sentido, mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa." o texto então me parece tão aquoso, mas ainda faltava algo e o percebi cheio de ar. um suave turbilhão de ar no meio da água.
terminei a leitura e senti falta de algo, acredito que falta uma parte. veio o impulso de uma nova cena, existe uma cena solo da personagem Adulto A. se acontecer adicionarei ao texto, e ai vemos se é útil ou não ao nosso projeto.
senti algumas loucuras:
- a existência de um quinto personagem: o vazio. e esse vazio também é o adulto b e a criança b. será que um dia o vazio some? será que o vazio é um banco onde sentamos e esperamos?
- os espaços da peça. são sempre espaços de espera. com exceção do quintal?
- a ausência de alguma cor quente; vi ela na cena Adulto A. laranja. há o sol ao se por.
- vejo um grande espelho aquoso; ouço o som de um mar de bolinhas de gude dentro de um saco de pano; e um porta-retrato com um figura muito feliz sentada em um banco e perto dela uma criança presente e ausente,
por fim, nunca havia percebido como esse texto é tão auto-biográfico, como as personagens são eu. estranho demais isso. estranho mesmo.
p.s: o que são conversas infantis?
adições>>>
enquanto escrevia relembrei deste personagem, e gosto muito desse verde:
essa coisa que surge do poço. ele também - essa personagem - aparece no filme Holy Motors, o qual nunca vi, mas a Anita já indicou algumas vezes.
também veio o filme Sonhos do Akira Kurosawa. alguém já viu?
e novamente por último:
"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê." [nos poços, caio fernando abreu, no livro o ovo apunhalado]
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